O seriado “You” é uma produção de suspense e drama baseado em um livro homônimo escrito por Caroline Kepnes. O lançamento aconteceu em 9 de setembro do ano passado e, em 26 de dezembro também do ano passado, a série chegou ao catálogo da plataforma de stremaing Netflix. Como toda superprodução, “You” chegou gerando um grande burburinho, onde uns estavam apaixonados por Joe e outros assustados com as atitudes dele.

Para quem ainda não conhece, a premissa da história é o questionamento “o que você faria por amor?’. Na trama, somos apresentados à Joe Goldberg (Penn Badgley), gerente de uma livraria, protagonista e narrador. Ele aparece analisando uma cliente da loja, Beck (Elizabeth Lail), por quem se apaixona perdidamente. A partir daí, acompanhamos os pensamentos de Joe e sua caminhada para conquistar a quem ele acredita ser a mulher dos seus sonhos. Mais do que uma paixão à primeira vista, Joe fica obcecado por Beck e passa a controlar o que está em volta da moça. Antes que ela perceba, Beck entra na armadilha criada por Joe.

O que chama atenção logo de cara no seriado é a narração. Recurso muito utilizado em livros, o narrador em primeira pessoa nos traz a visão do protagonista. Essa narração tem uma outra função, ela mostra o filtro pelo qual Joe vê o mundo e explica suas atitudes. Essa narração equilibra o charme, o sarcasmo e a psicopatia do personagem.

Temática perigosa

 

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Penn Badgley dá vida à Joe Goldberg

 

Não se pode negar que o seriado traz uma temática contemporânea sobre o uso das mídias sociais nas relações humanas. Afinal, Joe começa a pesquisa por sua “amada” pelas redes sociais. Prestando atenção em pequenas pistas deixadas por Beck, Joe descobre detalhes da vida dela, como endereço, faculdade em que estudou, onde trabalha e assim por diante. É aí que mora o perigo. Esse tipo de atitude obsessiva é doentia.

Não somos iludidos por Joe, sabemos desde o princípio que ele não é um príncipe encantado. Ele é um psicopata que persegue Beck até conseguir construir um relacionamento com ela. Esse é um ponto de destaque na atuação de Badgley que constrói um personagem perigoso que às vezes parece apenas um homem apaixonado. Voltamos a mencionar a narração. Ela vem para amenizar e justificar as atitudes de Joe. Por mais que sejam absurdas, ele insiste em dizer que tudo foi feito para proteger a amada, como se ela não fosse capaz de tomar suas próprias decisões sozinhas.

Além disso, a relação de Joe com o pequeno Paco (Luca Padovan) aparece como uma forma de humanizar o psicopata. Em alguns momentos essa relação parece forçada ou aparece como mais um instrumento de conquista. Por isso, é compreensível que apareçam pessoas que torcem pelo stalker e acabam romantizando a relação obsessiva. Não é romance controlar a vida do parceiro, muito menos monitorar as mensagens que o parceiro troca.

Durante os dez episódios, a ideia do roteiro é mostrar que ninguém é perfeito, mais uma forma de justificar as atitudes duvidosas dos personagens. Tudo isso é feito de forma exagerada que cria um desconforto e um certo pessimismo na humanidade. Não vamos idolatrar Beck, ela não é santa, mas também não se vitimiza. Acontece que esta é o tipo de narrativa que não precisamos. Precisamos de histórias com consequências aos atos desenvolvidos por Joe já que é algo corriqueiro e não deveria ser glorificado.

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Bruna Cairo

Autor Bruna Cairo

Jornalista, fotógrafa, amante de filmes, séries, clipes musicais e apaixonada por Harry Potter.

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