Os clichês necessários nas crises existenciais, que trazem as transformações mais belas

Abril trouxe, já no finalzinho, o terceiro álbum de O Terno, “Atrás/Além”. O disco veio após quase três anos do último lançamento, “Melhor do que Parece”(2016). Todas as canções de Atrás/Além são assinadas por Tim Bernardes, que deixou sua marca na sonoridade e nas letras de cada uma das 12 faixas.

Atrás/Além parece um só. É como o produto de uma reflexão na volta do trabalho, olhando pela janela do ônibus. E quem é essa pessoa que tanto pensa e questiona? Provavelmente alguém que está chegando aos 30, que é geralmente quando as pessoas começam a ter mais noção do tempo.

A primeira faixa, “Tudo Que Eu Não Fiz”, abre o disco com questionamentos sobre o ontem. “Eu tive tudo e não parei, talvez no fundo eu goste mais de procurar”. Em “Pegando Leve” é notável uma angústia por saber que está em  ritmo frenético: “Eu quero tudo/ Eu quero descansar, mas também quero sair”. O segundo single do álbum expressa a realidade de quem vive na correria, com desejo de conseguir fazer tudo, mas com a necessidade de ir devagar.


Além dos questionamentos, o eu-lírico faz também algumas resoluções. “Eu Vou”, terceira faixa, é a mais resoluta de todas e manifesta a decisão de tentar viver com mais leveza e otimismo. “Vou experimentar/ Viver mais livre, leve e solto”. O disco termina grato com “E no Final”, canção que volta novamente às lembranças do passado, mas expressa alegria por “poder mudar e assumir”.

A música mais discrepante de Atrás/Além é “Bielzinho/Bielzinho”, alegre homenagem a Biel Basile. Apesar da pausa na crise existencial, a oitava faixa do disco também tem um ar nostálgico, expondo a beleza que é ver o colega de banda tocar.  

“Atrás/Além” é sobre transformações interiores, mas também marca um momento de mudança na sonoridade de O Terno. Se a vida pessoal influencia na obra do artista e vice-versa, é fruto do amadurecimento dos meninos que já estão “trintando”. Para quem ouve, é como um abraço amigo e um “siga em paz, ainda tem muito pela frente”.

 

 

Luana Maria

Autor Luana Maria

Luana Silva: jornalista, apaixonada por trilhas sonoras e viciada em música.

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