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Viviane Marquês tem 18 anos e é da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Desde pequena gostava de desenhar, se destacando, em relação às outras crianças. Como tinha poucos amigos, papel e lápis de cor eram seus companheiros fiéis. Hoje, ela é ilustradora e expressa em sua arte muito do seu universo particular.

Viviane Marques

Conheci seu trabalho pelo Facebook e fiquei encantada com a delicadeza e beleza das ilustrações, assim como as temáticas retratadas. Imagine a minha felicidade ao conseguir entrevistá-la.

Você desenha desde pequena?

Sim. Não era nada muito complexo, mas desde aquele tempo, eu me destacava em relação às outras crianças. Eu era bem solitária, tinha poucos amigos, então desenhar era a minha forma de brincar e me divertir. Alguns anos depois comecei a estudar, comprar material de qualidade e tentar melhorar.

Desde que você começou a ilustrar, sempre seguiu a técnica da aquarela?
Eu sou ilustradora há três anos. Há dois, eu me encontrei na aquarela. Me apaixonei pela técnica e aos poucos fui aprendendo e melhorando a qualidade dos desenhos.

Suas ilustrações retratam bastante o empoderamento negro e o feminismo, né? Qual o motivo disso?
Retrato a exaltação do corpo negro na arte, principalmente mulheres. Existe no meio artístico um mito de que pintar pele negra é difícil e por isso os artistas não retratam essas pessoas. Quando comecei a estudar aquarela, isso me incomodava, não me sentia representada. Até que comecei a desenhar e pintar o que me representa. É difícil encontrar um quadro de uma mulher negra em que ela não esteja retratada como escrava. Além disso, é preciso que as mulheres sejam retratadas na arte para além da nudez ou sexualização. Eu sou uma artista e minha arte é um espelho do que sou.

Viviane Marques

 

Você acredita que é possível melhorar a autoestima das pessoas por meio da arte?
Sim, eu acredito. Principalmente na questão de fazer as mulheres se verem de forma diferente. Eu percebo que quando elas se enxergam em um desenho, conseguem ver a própria beleza. Além disso, a arte representa o belo e quando são retratadas nas pinturas, elas são colocadas como musas, sem a objetificação ou sexualização da mulher negra.

Onde as pessoas podem encontrar seu trabalho na internet?
Eu divulgo os desenhos na página do Facebook “Café e Aquarela” e no Instagram “@_ailuropoda_”, que é onde alcanço o meu público-alvo.

Na sua opinião, quais os desafios que um artista enfrenta, principalmente quando está começando?
Um dos desafios é a desvalorização da arte que fazemos. As pessoas não levam o trabalho como algo sério, tratam como passatempo ou coisa simples de se fazer. O material é muito caro, gastamos tempo e dinheiro para que a qualidade das ilustrações melhore a cada dia. Outro desafio é a dificuldade por espaço, principalmente para os negros e mulheres.

Você ainda não comercializa seus desenhos. Algum dia você pensa em fazer da arte sua fonte de renda?
Sim. É um sonho. Apesar desses problemas que falei, estou tentando me organizar para vender os desenhos em feiras e outros espaços.

 

Luana Maria

Autor Luana Maria

Luana Silva: 24 anos, paraibana, quase jornalista, capricorniana, apaixonada por trilhas sonoras e louca dos gatos.

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